Por Uriel Villas Boas

A recente decisão dos deputados federais aprovando a imposição de mudanças na nossa Constituição não está merecendo a devida atenção de quem vai sofrer as consequências da redução das verbas em áreas por demais importantes, entre as quais, a saúde e a educação.  E desde a pautação da proposta do Governo Temer, sua tramitação teve as mais diferentes formas de pressão sobre os parlamentares aliados.

Para assegurar a aprovação. Até lautas refeições foram oferecidas no Palácio do Jaburu. Mas uma questão precisa ser destacada: durante sua tramitação, as organizações sociais limitaram-se a atos isolados e em locais onde a repercussão foi insuficiente para impressionar ou pressionar os parlamentares. Que votaram de forma tranquila, seguindo a determinação do Governo. Cabe então uma profunda avaliação sobre esta questão.  Que começa pela indagação: qual tem sido a forma de atuação dos organismos sociais, de esquerda, na busca da unidade necessária aos encaminhamentos?

E sobretudo, como se dá a integração com as mais diferentes comunidades, para que as manifestações não sejam caracterizadas como pontuais ou imediatistas. E mais, todas as questões exigem um conhecimento de modo que se constate uma politização que é por demais necessária. Normalmente se fazem manifestações que se repetem  em locais conhecidos, mas nem sempre há uma preparação adequada, um debate, uma divulgação, uma convocação de todos os segmentos sociais.

Protesto conta a PEC na Avenida Paulista, em São Paulo / Foto: Paulo Pinto/PT

Protesto conta a PEC na Avenida Paulista, em São Paulo / Foto: Paulo Pinto/PT

Quem se lembra, por exemplo, quando houve na cidade onde mora uma ação que ficou configurada como a busca de um resultado mediante a pressão popular? E quais os segmentos sociais que na nossa Região podem ser caracterizados que estão em alguma luta. E que não fique limitada a questões pontuais? Como se pode constatar, é preciso discutir estas questões, sob pena de a cada momento perdermos os espaços de que ainda dispomos. E por fim, cabe uma avaliação sobre a forma que pode ser adotada para a pressão direta sobre os parlamentares.

Se houver uma organização em cada local, os parlamentares serão pressionados em suas bases eleitorais. Sem que se deixe de lado a formação de caravanas que se dirijam à Brasilia, para acompanhar as votações, mas se o parlamentar souber que em sua base há um movimento que acompanha o seu trabalho, ele vai avaliar a quem deve dar a devida atenção. Uma conclusão que se tiram, portanto, é que aqueles que tem alguma preocupação com as mudanças sociais não podem se limitar a reclamações individuais ou desabafos  emocionais. O fundamental é a unidade, a superação das dúvidas, o debate franco e transparente. E uma rotina, um calendário de trabalho.

* Uriel Villas Boas é Representante Regional da Fitmetal/CTB - Integrante da Coordenação do Fórum Cresce Baixada e MAP.LP-Movimento de Aposentados e Pensionistas do Litoral Paulista.

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