Por Uriel Villas Boas *

A crise econômica brasileira dos últimos anos é um reflexo inicialmente dos acontecimentos nas maiores economias mundiais, incluindo os Estados Unidos. Mas serviu para que grupos conservadores atuassem no sentido de interromper o esquema de Governo dos últimos 13 anos. E os acontecimentos tiveram como destaque maior o afastamento da Presidenta Dilma Rousseff, cujo lugar foi ocupado pelo seu vice-presidente, que estava no segundo mandato no cargo.

Sem perder tempo, Michel Temer está confirmando o seu oportunismo e estilo de agir que não merece elogios. E que tem como destaque maior, a imposição da aprovação  de um Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 241.  A pressão para que seus aliados no Congresso aprovem a proposta levou em conta alguns procedimentos. Como a promessa de liberação de emendas orçamentárias. E também a negociação de cargos públicos. As duas questões não mereceram nenhum destaque na imprensa, habitualmente crítica em relação aos Governos anteriores. 

E outro segmento que foi procurado por ele foi o empresariado. Ele solicitou a colaboração deles na pressão aos Congressistas. Por sinal a PEC é de muito interesse desse segmento. Cabe então a indagação, ou seja: como ficam os especialistas em questões de economia que não se manifestam? E os vários segmentos sociais, como o sindicalismo, o movimento estudantil e as organizações sociais?

São três áreas que terão problemas com a implementação das medidas previstas na PEC. Como se pode constatar, este é um desafio para quem atua no campo social. Mais do que nunca é preciso criar formas de pressão para que um projeto desse porte não seja aprovado. A economia não pode beneficiar apenas um segmento, tem de servir para diminuir os problemas no campo social. Ainda há tempo.

*Uriel Villas Boas é Representante Regional da Fitmetal/CTB- Fórum Cresce Baixada e MAP.LP

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